Sobre a Felicidade

Série: Verdades Desconfortáveis
Nos dias de hoje, é comum vermos a felicidade retratada como um estado constante, quase obrigatório. Redes sociais, publicidade e discursos motivacionais reforçam uma narrativa simplificada: a de que devemos estar sempre felizes. No entanto, pesquisas científicas mostram que essa busca por uma “felicidade plena e permanente” não apenas é ilusória, como pode ser prejudicial.
Dentro das perspectivas contemporâneas da psicologia, neurociências e da própria Teoria da Mente Primordial, que considera nossos sistemas ancestrais de busca, recompensa, medo e sobrevivência, a felicidade nunca foi um estado fixo. Somos biologicamente moldados para flutuar entre satisfação e inquietação.
O Paradoxo da Felicidade
Daniel Kahneman demonstrou que a felicidade é composta por dois eixos:
1. Bem-estar emocional – momentos cotidianos de contentamento
2. Satisfação com a vida – percepção de significado e realização
Ambos são relevantes, mas nenhum deles se mantém estável.
A “Lei dos Retornos Decrescentes”, por exemplo, mostra que ganhos financeiros aumentam a satisfação até certo ponto, mas não sustentam um estado duradouro de felicidade.
Esse mecanismo está ligado ao que a Mente Primordial descreve como sistemas de adaptação e busca: o cérebro se acostuma rapidamente ao que antes parecia extraordinário.
A Ilusão da Felicidade Plena
O neurocientista Jaak Panksepp demonstrou que o sistema neural de SEEKING (busca) está sempre ativo. Ele impulsiona exploração, curiosidade e movimento.
Se estivéssemos em um estado contínuo de satisfação plena, perderíamos:
– Motivação
– Capacidade de aprendizado
– Adaptabilidade
– Impulso vital
Na linguagem da Mente Primordial, a alternância entre contentamento e inquietação é essencial para nossa arquitetura psíquica ancestral. A insatisfação, portanto, não é um defeito emocional, é um mecanismo evolutivo.
O Perigo da Busca Constante
A obsessão moderna com felicidade gera um paradoxo:
quanto mais buscamos um estado permanente, mais sentimos que ele nos escapa.
Pesquisas da revista Emotion mostram que expectativas excessivamente altas reduzem o bem-estar. O ciclo se agrava com redes sociais: comparações constantes criam uma sensação artificial de falha.
Segundo a Royal Society for Public Health, o uso elevado de redes está associado a:
– Aumento de ansiedade
– Depressão
– Sensação de inadequação
Do ponto de vista da Mente Primordial, trata-se de um conflito entre sistemas ancestrais, que respondiam a pequenos grupos tribais, e uma hiperexposição contemporânea impossível de processar emocionalmente.
Momentos Felizes: A Chave Realista
Em vez de perseguir uma felicidade contínua, a psicologia positiva mostra que o foco em momentos felizes é mais saudável.
Seligman destaca três pilares:
– Gratidão
– Relações significativas
– Experiências de flow
Essas práticas não criam uma felicidade permanente, mas elevam o bem-estar de modo sustentável.
Inclusive, estudos mostram que apenas uma semana de prática de gratidão já produz:
– Melhoria no humor
– Maior percepção de sentido
– Redução de sintomas depressivos
Como a Terapia Pode Ajudar
A busca pela felicidade constantemente idealizada costuma esconder questões mais profundas: padrões emocionais primordiais, conflitos internos, impulsos inconscientes e mecanismos de comparação que alteram nossa percepção de valor.
Em vez de prometer felicidade permanente, uma abordagem clínica madura oferece clareza, regulação emocional e fortalecimento interno.
No consultório, isso se traduz por meio de:
Psicanálise de Abordagem Integrativa
(Freud, Jung, Lacan, Winnicott + neurociências + Mente Primordial)
Explora conflitos internos, padrões inconscientes e mecanismos de busca que influenciam bem-estar e propósito.
Terapia Comportamental
(Neurociência da aprendizagem + reprogramação de hábitos)
Ajuda a reconstruir padrões emocionais e cognitivos que sabotam o bem-estar cotidiano.
Terapia Integrada
(Psicanálise + comportamento + neurociência + traços primordiais)
Trabalha tanto o lado racional quanto os impulsos primitivos envolvidos na frustração, ansiedade e busca incessante por satisfação.
Acompanhamento Emocional e Cognitivo
(Regulação afetiva + fortalecimento mental + clareza)
Ideal para quem vive oscilando entre sensação de vazio, excesso de cobrança e comparação social.
Questões Existenciais e Sofrimento Humano
(Vida, sentido, identidade, propósito, morte)
Para pessoas que enfrentam pressões internas e externas sobre como “deveriam” ser felizes.
Conclusão
Aceitar que a felicidade plena é inalcançável não é pessimismo, é libertação.
A vida emocional humana, conforme explicam tanto a psicologia moderna quanto a Mente Primordial, é feita de ciclos, contrastes e alternâncias.
A verdadeira maturidade emocional está em cultivar:
– Momentos de alegria
– Conexões autênticas
– Significado real
– Capacidade de navegar os altos e baixos
Como escreveu Khalil Gibran:
“A alegria e a tristeza são inseparáveis; quando uma chega, a outra descansa à sua espera.”
O impacto da terapia na vida de quem busca mudança:
*Atendimento pessoal e sigiloso.
Compartilhe Nas Suas Redes:
“Compartilhe com seus amigos e familiares para que cada vez mais pessoas entenda que uma vida plena é possível, só precisamos saber como buscar”

Pedro Ajala — Psicanalista Integrativo & Terapeuta Comportamental
CBO: 2515-50 / 3221-25
International Independent Theoretical Researcher — ORCID iD: 0009-0009-6551-4292
Integro psicanálise, neurociência cognitiva aplicada, análise do comportamento e estudos sobre a Mente Primordial para compreender a complexidade da experiência humana. Meu trabalho une investigação profunda dos processos inconscientes a métodos baseados em evidências para reorganizar hábitos, emoções e padrões relacionais.
Atuo com foco em transformação genuína, autonomia emocional e compreensão científica dos mecanismos que moldam o sofrimento e o desenvolvimento humano.
— Pedro Ajala, Psicanálise Integrativa & Neurociência Cognitiva Aplicada
