
Quando falamos de COP30, mudanças climáticas e sustentabilidade, geralmente pensamos em políticas públicas, redução de carbono, economia verde e acordos internacionais.
Mas existe um elemento silencioso — e decisivo — que raramente entra na conversa: a estrutura psicológica e evolutiva do próprio ser humano.
Por trás de crises ambientais, consumismo excessivo, dificuldade de cooperação e comportamentos de risco coletivo existe algo muito mais antigo do que governos e tecnologias: a mente bestial.
Neste artigo, vamos explorar esse conceito de forma clara, acessível e baseada em ciência, mostrando como ele ajuda a entender por que mudanças climáticas são, também, um fenômeno psicológico e ecológico humano.
O que é “mente bestial”?
“Mente bestial” não se refere a maldade, brutalidade ou descontrole.
Ela descreve a camada mais primitiva e ancestral do nosso sistema mental — aquela programada ao longo de milhares de anos em ambientes selvagens, perigosos e instáveis.
Esse nível profundo da mente opera baseado em:
- Sobrevivência Imediata
- Busca Rápida de Recompensas
- Competição por Recursos
- Proteção do Próprio Grupo (Tribalismo)
- Evitar Perdas a Qualquer Custo
- Fuga Diante da Incerteza
Em biologia evolutiva, isso é chamado de short-termism adaptativo: quando o ambiente parece imprevisível, o cérebro prioriza o agora, não o amanhã.
O problema é que…
“O mundo moderno se tornou um ambiente percebido como altamente instável” — notícias catastróficas, crises constantes, polarização, pressões econômicas, insegurança social.
Resultado:
“Esse “modo bestial” é ativado com muito mais frequência do que deveria.“
O que isso tem a ver com a COP30?
Muito mais do que parece.
A COP30 discute estratégias globais de longo prazo. Mas nossa mente ancestral não foi programada para pensar no longo prazo.
Ela foi moldada para sobreviver ao próximo inverno, ao próximo predador, à próxima seca.
A crise climática, por outro lado, exige:
- Planejamento a Décadas
- Sacrifício no Presente para Evitar Danos Futuros
- Cooperação Entre Grupos Rivais
- Controle do Impulso e do Consumo
- Confiança em Instituições
“E estas são exatamente as áreas em que a mente bestial falha.”
O conflito entre o humano moderno e o humano ancestral
Hoje existe um choque interno entre dois modos de funcionamento:
1. O humano civilizado, que:
- Discute Políticas Ambientais
- Pensa em Sustentabilidade
- Entende Ciência
- Fala de Metas de 2030, 2050…
2. O humano ancestral, que:
- Quer Conforto Agora
- Evita Esforço Imediato
- Consome o Que Oferece Alívio Rápido
- Teme Escassez e Compensa Acumulando
- Desconfia de Grupos “Estranhos” (Polarização Climática)
Esse conflito interno explica por que, mesmo sabendo dos riscos, sociedades continuam:
- Consumindo Acima da Capacidade do Planeta
- Adiando Decisões Difíceis
- Negando Riscos de Longo Prazo
- Travando Guerras Ideológicas Sobre Temas Científicos
- Criando Resistência Psicológica à Mudança
“Não é irracionalidade.
É biologia.“
Ecologia social, comportamento humano e o ambiente instintivo
A COP30 pode ser vista não apenas como um debate ambiental, mas como a tentativa de reorganizar o ecossistema social em que a mente humana opera.
Ambientes sociais instáveis ativam:
- Ansiedade Coletiva
- Comportamento Defensivo
- Tribalismo
- Competitividade Extrema
- Foco no Presente
Ambientes sociais estáveis ativam:
- Cooperação
- Planejamento
- Capacidade Simbólica
- Empatia Expandida
- Responsabilidade Compartilhada
Portanto, lidar com as mudanças climáticas não é apenas ajustar emissões.
É ajustar o ecossistema psicológico em que vivemos, para que o lado racional, ético e cooperativo possa funcionar sem ser sabotado por mecanismos ancestrais.
A crise climática não é só ambiental: é comportamental
A mente bestial se manifesta em três comportamentos centrais que impactam diretamente políticas climáticas:
1. Consumo como forma de regulação emocional
O consumo oferece alívio imediato — dopamina rápida.
O planeta paga a fatura.
2. Tribalismo político
Discutir clima virou disputa identitária:
Quando uma pauta vira “sinal de pertencimento”, perde racionalidade.
3. Recompensas de curto prazo
Ganhos imediatos (econômicos, energéticos, políticos) vencem proteção ambiental de longo prazo.
“Esses três fatores são frutos diretos da arquitetura instintiva humana.”
Por que entender a mente bestial é essencial na COP30
A COP30 vai debater:
- Redução de Emissões
- Adaptação Climática
- Transição Energética
- Proteção de Ecossistemas
- Equidade entre Países
Mas nenhum desses pontos será viável se ignorarmos o fator mais decisivo:
“O cérebro humano não evoluiu para lidar com riscos futuros, globais e abstratos.“
Ou seja:
“As soluções precisam ser compatíveis com nossa biologia.“
Não basta convencer.
É preciso reconfigurar incentivos, reduzir incertezas, desarmar tribalismos e estabilizar o ambiente social.
Quando a sociedade se torna estável e previsível, o modo bestial se silencia — e o humano racional emerge.
Conclusão: sustentabilidade começa dentro da mente humana
Se quisermos enfrentar as mudanças climáticas de maneira realista, precisamos integrar psicologia, biologia e ecologia social ao debate.
A mente bestial não é um defeito: é uma herança adaptativa.
Mas quando o mundo moderno se torna caótico, ela assume o controle.
Por isso, a COP30 não é apenas uma conferência sobre o clima.
É um esforço internacional para devolver ao ser humano o ambiente estável necessário para que ele consiga pensar, cooperar e agir além dos próprios instintos.
E talvez esse seja o grande desafio da nossa era:
“Não apenas salvar o planeta, mas criar condições para que possamos salvar o melhor de nós mesmos.“
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Pedro Ajala — Psicanalista Integrativo & Terapeuta Comportamental
CBO: 2515-50 / 3221-25
International Independent Theoretical Researcher — ORCID iD: 0009-0009-6551-4292
Integro psicanálise, neurociência cognitiva aplicada, análise do comportamento e estudos sobre a Mente Primordial para compreender a complexidade da experiência humana. Meu trabalho une investigação profunda dos processos inconscientes a métodos baseados em evidências para reorganizar hábitos, emoções e padrões relacionais.
Atuo com foco em transformação genuína, autonomia emocional e compreensão científica dos mecanismos que moldam o sofrimento e o desenvolvimento humano.
— Pedro Ajala, Psicanálise Integrativa & Neurociência Cognitiva Aplicada
