Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Em Crianças e Adolescentes
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais prevalentes no mundo, afetando milhões de crianças e adolescentes. Caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH impacta o funcionamento acadêmico, social, emocional e comportamental, podendo se estender até a vida adulta. Compreender seus sinais, causas e o contexto epidemiológico atual é fundamental para reduzir estigmas, promover diagnóstico correto e garantir intervenções eficazes.
O que é TDAH?
O TDAH manifesta-se tipicamente antes dos 12 anos e envolve alterações no funcionamento neurobiológico, especialmente em circuitos frontoestriatais e sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos. Ele é dividido em três apresentações clínicas:
1. Predominantemente Desatento
• Dificuldade em manter atenção em tarefas.
• Esquecimentos frequentes.
• Perder objetos necessários.
• Dificuldade em escutar instruções e organizá-las.
2. Predominantemente Hiperativo-Impulsivo
• Inquietação constante.
• Dificuldade de permanecer sentado.
• Falar excessivamente.
• Interromper ou se intrometer em conversas e jogos.
3. Tipo Combinado
• Combinação de sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade.
É importante enfatizar: o TDAH não é causado por má criação, falta de disciplina ou fatores morais, mas sim por fatores neurobiológicos, genéticos e ambientais.
Sintomas em Detalhes
Sintomas de Desatenção
- Dificuldade em manter foco prolongado.
- Erros por descuido.
- Problemas ao seguir instruções.
- Desorganização.
- Evasão de tarefas mentalmente exigentes.
- Perda frequente de objetos.
- Distrabilidade elevada.
- Esquecimento de atividades cotidianas.
Sintomas de Hiperatividade e Impulsividade
- Mover-se constantemente (mexer mãos/pés).
- Levantar-se em situações inadequadas.
- Correr/escapar de situações.
- Brincadeiras sem calma.
- Falar excessivamente.
- Interromper conversas.
- Responder antes do término da pergunta.
- Inquietação interna (mais comum em adolescentes).
Esses comportamentos ultrapassam a variabilidade normal da infância e impactam significativamente o funcionamento global.
Aumento Global e Nacional dos Diagnósticos de TDAH
Nas últimas décadas, observou-se um aumento notável nos diagnósticos de TDAH em diversos países, incluindo o Brasil. Este fenômeno tem gerado debates, receios de sobrediagnóstico e discussões sobre causas socioculturais e mudanças nas práticas clínicas.
Panorama Global
- EUA (CDC): prevalência aumentou de 7,8% (2003) para 11% (2011). Em 2020, estimava-se cerca de 9,4%.
- Europa: prevalência entre 3,5% e 7,2%.
- América Latina: variação entre 6% e 12%.
Brasil
Estudos brasileiros estimam prevalência média de 5,8% entre crianças e adolescentes. Em algumas regiões urbanas, valores são superiores.
Outro dado relevante:
Ao longo de 20 anos, a prevalência estimada subiu de 6,1% para 10,2% no país.
Além disso, há um aumento expressivo no diagnóstico de adultos, estimado em cerca de 2 milhões no Brasil.
(Um artigo separado abordará especificamente o TDAH em adultos.)
Por que o Diagnóstico Está Aumentando?
- Maior conscientização por parte de pais, educadores e profissionais.
- Melhor acesso a serviços de saúde mental.
- Evolução dos critérios diagnósticos, permitindo identificar casos mais leves ou sutis.
- Mudanças socioculturais, como aumento de demandas acadêmicas.
- Questões ambientais (exposição a toxinas, complicações gestacionais).
- Redução do estigma, encorajando famílias a buscar avaliação.
Esse aumento, embora possa parecer alarmante, não indica inflacionamento artificial do transtorno, mas sim maior identificação de casos antes negligenciados.
Possíveis Causas do TDAH
O TDAH é multifatorial, resultando da interação entre predisposição genética, fatores neurobiológicos, ambientais e psicossociais.
1. Fatores Genéticos
A herdabilidade é alta — cerca de 76%.
- Crianças com parentes de primeiro grau com TDAH têm risco significativamente aumentado.
- Genes relacionados à dopamina (como DRD4 e DAT1) estão entre os mais investigados.
2. Fatores Neurobiológicos
Pesquisas de neuroimagem mostram:
- Volumes reduzidos em regiões como córtex pré-frontal e cerebelo.
- Alterações em circuitos responsáveis por atenção, planejamento e controle inibitório.
- Atividade cerebral atípica em exames como fMRI.
3. Fatores Ambientais
- Consumo materno de álcool e tabaco na gestação.
- Parto prematuro, baixo peso ao nascer.
- Exposição precoce a toxinas (ex.: chumbo).
4. Fatores Psicossociais
Não são causas diretas, mas amplificam sintomas:
- Ambientes familiares altamente estressantes.
- Falta de rotina.
- Relacionamentos parentais inconsistentes.
Sinais de TDAH: O que Pais e Responsáveis Devem Observar
Muitos comportamentos do TDAH também ocorrem em crianças neurotípicas, a diferença é a intensidade, frequência, persistência e prejuízo funcional.
Sinais de Desatenção
- Falta de foco em atividades escolares.
- Dificuldade em ouvir instruções.
- Desorganização constante.
- Esquecimento de compromissos e tarefas.
Sinais de Hiperatividade e Impulsividade
- Agitação física e verbal.
- Dificuldade em permanecer sentado.
- Interrupções constantes.
- Sensação interna de inquietude (mais evidente na adolescência).
Quanto mais cedo são reconhecidos, maiores as chances de intervenções eficazes.
Por que Reconhecer o TDAH é Fundamental?
- Evita sofrimento emocional e social.
- Reduz risco de comorbidades como ansiedade, depressão e dificuldades de aprendizagem.
- Facilita intervenções comportamentais e pedagógicas.
- Permite suporte adequado na escola e na família.
- Melhora autoestima e desempenho global.
Conclusão
O TDAH é um transtorno complexo, influenciado por múltiplos fatores e frequentemente mal compreendido. O aumento nos diagnósticos reflete não um exagero, mas maior consciência e acesso ao cuidado. Reconhecer sinais precoces, compreender as causas e adotar intervenções adequadas é essencial para que crianças e adolescentes desenvolvam plenamente seu potencial emocional, social e acadêmico.
O impacto da terapia na vida de quem busca mudança:
*Atendimento pessoal e sigiloso.
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Pedro Ajala — Psicanalista Integrativo & Terapeuta Comportamental
CBO: 2515-50 / 3221-25
International Independent Theoretical Researcher — ORCID iD: 0009-0009-6551-4292
Integro psicanálise, neurociência cognitiva aplicada, análise do comportamento e estudos sobre a Mente Primordial para compreender a complexidade da experiência humana. Meu trabalho une investigação profunda dos processos inconscientes a métodos baseados em evidências para reorganizar hábitos, emoções e padrões relacionais.
Atuo com foco em transformação genuína, autonomia emocional e compreensão científica dos mecanismos que moldam o sofrimento e o desenvolvimento humano.
— Pedro Ajala, Psicanálise Integrativa & Neurociência Cognitiva Aplicada
